Olá! Seja muito bem-vindo! Um salve para as nossas obrigações morais como seres humanos para com os animais. Já dizia Jeremy Bentham: ' Chegará o dia em que o restante da criação animal possa readquirir aqueles direitos que jamais poderiam ter sido retirados deles a não ser pelas mãos da tirania. Os franceses já descobriram que a pele escura não é razão para que um ser humano seja abandonado sem alívio aos caprichos de um torturador. Um dia poderá ser reconhecido que o número pernas, as vilosidades da pele ou o de término da coluna vertebral são razões igualmente insuficientes para se abandonar um ser senciente ao mesmo destino. Que fator então deveria traçar a linha insuperável? A capacidade de raciocinar, ou talvez a capacidade de se comunicar? Mas um cavalo ou um cão adulto é um ser muito mais racional e comunicativo que um bebê de um dia, uma semana ou um mês de vida. Mas suponhamos que fosse diferente, e daí? A questão não é Os animais podem raciocinar? nem Os animais podem falar? mas sim Podem os animais sofrer?'. Criei esse espaço justamente na tentativa de ajudar a diminuir o sofrimento de tantos e tantos e tantos animais!

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Quais animais são sencientes?

Bom pessoal...quando se fala sobre a capacidade dos animais terem sentimentos sempre surge algumas perguntas com um ponto final de sarcasmo. Por exemplo...E as moscas, elas sofrem? E as baratas, estão felizes? Embora muitas dessas dúvidas venham embaladas em um papel provocativo, a grande maioria delas é legítima. Existem muitas dúvidas sobre onde colocar uma linha imaginária que seja capaz de separar os animais sencientes daqueles não sencientes.

De acordo com as evidências evolutivas, anatômicas, fisiológicas, genéticas e comportamentais acredita-se que no MÍNIMO os animais vertebrados compartilhem conosco a capacidade de sentir medo, alegria, tristeza, tédio, dor, entre tantas outras sensações! Por via das dúvidas, só para constar, quem são os vertebrados? São todos os mamíferos, aves, peixes, reptéis e anfíbios.  Na realidade não temos ainda  uma verdade absoluta sobre quais animais são sencientes. Diante disso temos a obrigação moral de dar o benefício da dúvida aos animais. Se eu não sei se ele é senciente, não posso agir como se não fosse! Basicamente é isso. É fato que o reconhecimento da Senciência Animal está cada vez mais forte. Podemos observar isso no âmbito legislativo de vários países inclusive no Brasil, onde várias leis estão sendo promulgadas para proteger os animais!


Confesso que sou uma apaixonada pelo mundo animal e a senciência animal é um contexto que muito me fascina. Pra mim é indubitável que um gato, um cachorro, uma vaca, uma galinha entre outros, dividem comigo, em graus diferentes, a capacidade de perceber e sentir o ambiente no qual vivemos! Para quem tiver mais interesse sobre o mundo da Senciência Animal, deixo uma dica com muito carinho!

Assistam ao DVD Animais – Seres Sencientes lançado pela WSPA – Sociedade Mundial de Proteção Animal em 2008. Nesse vídeo estão alguns dos mais renomados nomes da pesquisa em bem-estar animal como Carla Molento, Ian Duncan, Adroaldo Zanella, Néstor Cálderon, Luiz Carlos Pinheiro Machado Filho, Maria José Hotzel, entre outros. Um salve para todos aqueles que diariamente trabalham por um mundo com menos sofrimento animal!

Uma boa semana a todos!
Até daqui a pouco!

Beijoss

domingo, 24 de outubro de 2010

Você sabe o que é senciência?


Nessa primeira postagem...
Gostaria de contar um pouquinho para vocês sobre o que é senciência. A senciência é o alicerce para que possamos estudar o bem-estar dos animais, seja os animais que produzem alimentos, os que nos fazem companhia ou aqueles que consideramos pestes tipo os ratos, os pombos. Ah! Os ratos! Quem são os ratos? Mamíferos? Portanto compartilham características semelhantes com os outros mamíferos? São bem parecidos? Só para colocar uma pulguinha atrás da orelha...
Bem-estar é um estado mental, só podendo existir em seres sencientes. Mas afinal de contas, o que é senciência? De acordo com Molento (2010) a palavra senciência ainda não consta no dicionário Aurélio de 1999, ao contrário do adjetivo senciente. Portanto senciência surgiu a partir de um neologismo na lingua portuguesa. A definição objetiva de senciência pode ser dada pela capacidade de ter sentimentos ligados a consciência. De acordo com Broom (2006), "um ser senciente é aquele que apresenta alguma habilidade para avaliar as ações dos outros em reação a si mesmo e a terceiros, para se lembrar de algumas de suas próprias ações e suas consequências, para avaliar rsco, para ter alguns sentimentos e para ter algum grau de consciência". Senciência é a capacidade do animal sentir. Sentir alegria, medo, dor! E não venham acusar de antropomorfismo. De acordo com Tom Regan, no livro The case for Animal Rights: “A senciência animal faz parte do bom senso: o que pode ser mais óbvio que gatos gostam de carinho, cães sentem fome, renas percebem o perigo e águias espionam suas presas?” e “A atribuição de consciência aos animais faz parte do nosso linguajar diário: Totó quer sair soa diferente que dizer que a raiz quadrada de nove está zangada”. Alguém tem alguma dúvida que soa estranho dizer que a raiz quadrada de nove está zangada? Sábio Tom Regan. Salve! Conseguiu dizer em uma frase o que é tão óbvio no nosso dia a dia. Mas como nem tudo são flores, a senciência animal se depara com um grande ceticismo no ambiente científico. O ambiente científico exige a necessidade de provas científicas irrefutáveis. Mas, peraí! Alguém já provou cientificamente que os animais não são capazer de sentir? Ah, mas isso raramente é colocado na mesa de discussões dos críticos céticos em relação a senciência animal. 
Segundo Griffin (2004), que é o maior nome em pesquisas sobre a consciência em animais não humanos, a comunidade científica parece exigir maiores evidências para aceitar os sentimentos dos animais do que em outras áreas do conhecimento. A ciência tradicional cartesiana precisa evoluir da postura simplista de “não temos certeza, então não existe”. Atualmente existe uma extensa e recente literatura sobre o assunto, as mais antigas datam de 1998. Mas, felizmente vários cientistas tem trabalhado incansavelmente em cima das questões de senciência animal. Muitos trabalhos tem sido publicados no mundo todo e o Brasil também está inserido nessa longa caminhada em direção a uma ciência mais ética! Os animais variam na proporção em que tem consciência de si mesmos e de suas interações com o meio ambiente. Isso é assunto para logo mais!


Beijos e até breve!