Nessa primeira postagem...
Gostaria de contar um pouquinho para vocês sobre o que é senciência. A senciência é o alicerce para que possamos estudar o bem-estar dos animais, seja os animais que produzem alimentos, os que nos fazem companhia ou aqueles que consideramos pestes tipo os ratos, os pombos. Ah! Os ratos! Quem são os ratos? Mamíferos? Portanto compartilham características semelhantes com os outros mamíferos? São bem parecidos? Só para colocar uma pulguinha atrás da orelha...
Bem-estar é um estado mental, só podendo existir em seres sencientes. Mas afinal de contas, o que é senciência? De acordo com Molento (2010) a palavra senciência ainda não consta no dicionário Aurélio de 1999, ao contrário do adjetivo senciente. Portanto senciência surgiu a partir de um neologismo na lingua portuguesa. A definição objetiva de senciência pode ser dada pela capacidade de ter sentimentos ligados a consciência. De acordo com Broom (2006), "um ser senciente é aquele que apresenta alguma habilidade para avaliar as ações dos outros em reação a si mesmo e a terceiros, para se lembrar de algumas de suas próprias ações e suas consequências, para avaliar rsco, para ter alguns sentimentos e para ter algum grau de consciência". Senciência é a capacidade do animal sentir. Sentir alegria, medo, dor! E não venham acusar de antropomorfismo. De acordo com Tom Regan, no livro The case for Animal Rights: “A senciência animal faz parte do bom senso: o que pode ser mais óbvio que gatos gostam de carinho, cães sentem fome, renas percebem o perigo e águias espionam suas presas?” e “A atribuição de consciência aos animais faz parte do nosso linguajar diário: Totó quer sair soa diferente que dizer que a raiz quadrada de nove está zangada”. Alguém tem alguma dúvida que soa estranho dizer que a raiz quadrada de nove está zangada? Sábio Tom Regan. Salve! Conseguiu dizer em uma frase o que é tão óbvio no nosso dia a dia. Mas como nem tudo são flores, a senciência animal se depara com um grande ceticismo no ambiente científico. O ambiente científico exige a necessidade de provas científicas irrefutáveis. Mas, peraí! Alguém já provou cientificamente que os animais não são capazer de sentir? Ah, mas isso raramente é colocado na mesa de discussões dos críticos céticos em relação a senciência animal.
Segundo Griffin (2004), que é o maior nome em pesquisas sobre a consciência em animais não humanos, a comunidade científica parece exigir maiores evidências para aceitar os sentimentos dos animais do que em outras áreas do conhecimento. A ciência tradicional cartesiana precisa evoluir da postura simplista de “não temos certeza, então não existe”. Atualmente existe uma extensa e recente literatura sobre o assunto, as mais antigas datam de 1998. Mas, felizmente vários cientistas tem trabalhado incansavelmente em cima das questões de senciência animal. Muitos trabalhos tem sido publicados no mundo todo e o Brasil também está inserido nessa longa caminhada em direção a uma ciência mais ética! Os animais variam na proporção em que tem consciência de si mesmos e de suas interações com o meio ambiente. Isso é assunto para logo mais!
Beijos e até breve!